O festival Cidade Criativa, Cidade Feliz na visão de um empreendedor – Semana #2

por Marcos David – sócio fundador da startup Maya

Todos nós que estamos antenados com o que vem acontecendo no Brasil e no mundo sabemos que um clima tenso se instaura em nossa sociedade, sob a iminência de uma profunda crise econômica, política e um monte de outras coisas que entendo muito pouco e que não me arriscaria a falar. Porém há uma crise um pouco diferente que vem afetando todo o nosso Vale nos últimos tempos. E as consequências dessa ”crise” puderam ser vistas e sentidas por nós nessa segunda semana do festival Cidade Criativa, Cidade Feliz.

Uma crise na mente e coração! Essa é minha visão sobre tudo o que vi e senti de forma muito intensa nos últimos dias. Começamos a resgatar algo tão antigo quanto a humanidade, que é a cooperação. Se no Iluminismo percebemos a necessidade de uma nova maneira de pensar, embasados na razão e na ciência, colocando o ser humano no centro de tudo, hoje vejo que um novo iluminismo vem se iniciando. Só que colocando não o ser humano, e sim a humanidade, no sentido mais amplo da palavra, no centro. Porque tenho tanta certeza disso!? Em todas as atividades que venho acompanhando no CCCF, conheço pessoas novas que fazem parte da comunidade de Santa Rita (ou de fora), mas que sentem uma grande necessidade de ajudar e criar, em conjunto, experiências transformadoras para públicos diferentes colocando todo seu talento, tempo e amor para desenvolver algo que seja digno de ser lembrado. E falo isso tudo como introdução deste texto, por ainda estar em estado de choque. E quem esteve por aqui sabe bem do que estou falando.

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Poder curtir a família durante o final de semana é algo raro e valioso. E só quem está ou esteve no estágio inicial de uma empresa sabe do que estou falando. É como se recarregasse suas baterias com o carregador thunderbolt. Mal sabia eu que a carga seria insuficiente para a semana que estava começando.

Na segunda, fiquei sabendo da palestra do Daniel Bacchieri sobre empreendedorismo digital. O tema tinha tudo haver com a Maya e comigo também pois o projeto envolvia além de empreendedorismo, música, que é uma das minhas paixões.

Cheguei mais cedo no teatro do Inatel e consegui conversar com o Daniel e o Carlos Henrique Vilela, um dos organizadores do CCCF, antes da palestra começar. Me deram uma visão geral do projeto, mas não o suficiente pra tirar a minha curiosidade. No inicio da palestra achei interessante o modo como  Daniel se apresentou, dizendo apenas seu nome e já passando um vídeo fera com vários cantores consagrados, como Janis Joplin, B.B. King, e muitos outros, complementando o vídeo com uma informação que eu não tinha: todos eles começaram fazendo shows na rua. Isso mesmo, meu caro e paciente leitor. Imagine você passeando pelas ruas de Memphis, nos EUA, no final da década de 40, e dar de cara com o BB King mandando aquele solo assustador em troca de algumas moedas. Fiquem mais atentos quando estiverem na rua e virem um músico de rua. Não achem que ele está ali por não achar trabalho. A estratégia desses músicos de rua de testar seu repertório na rua antes de investir na gravação de álbum em estúdio, que diga-se de passagem, é muito caro. É algo que os empreendedores  deveriam ter copiado há muito tempo ao criarem seus produtos e serviços. Lá atrás, os músicos já faziam isso, mas só há poucos anos que Eric Ries lançou o livro The Lean Startup, divulgando a estratégia. Ou seja, mais vale ler a biografia dos grandes astros da música do que livros de empreendedorismo. Ninguém consegue demonstrar maior comportamento empreendedor do que esses caras.

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Essa ideia de fazer analogia entre música e empreendedorismo é fantástica. E para os que não conhecem sobre, assistam esse vídeo do David Grohl no SXSW, neste link: https://www.youtube.com/watch?v=Sty1AMKXsyw.

O StreetMusicMap, projeto do Daniel, me deixou espantado com as possibilidades e a forma como foi criado. Reforça ainda mais a analogia que defendi acima, entre a música e o empreendedorismo. Ele começou com um vídeo que fez de um musico de rua em uma das suas viagens e postou no seu instagram, recebendo ótimos feedbacks. Despretensiosamente, as suas postagens de músicos de rua foram intensificando e os comentários aumentando. Até o ponto de outras pessoas começarem a fazerem gravações de músicos de rua em todo mundo, informando a localização e os dados dos músicos, como nome e canal no Soundcloud. Absolutamente fantástico! Já foram mais de 800 músicos de 77 países, além de muita história pra contar da repercussão de cada um dos vídeos. Uma super aula de empreendedorismo do século 21. Onde o valor é gerado em cooperação.

O que o projeto vai virar eu não sei, mas ouso dizer que com o impacto que algo assim gera no mundo, logo logo poderemos ver o StreetMusicMap como uma unicorn nascida no Brasil. À proposito, o Daniel está participando de uma competição para ser palestrante do SxSW 2016. É só clicar no link http://panelpicker.sxsw.com/vote/46390, logar e votar. Pra finalizar a sessão “frita cuca” da palestra, a Banda Patronagens Band finalizou a noite com suas músicas, marcando o pré-lançamento do Vale Music Festival, e aliviando minha mente lotada de ideias sobre o projeto do Daniel.

A semana continuou pesada. E mais e mais early adopters da minha ideia do dispositivo de clonagem foram aparecendo, querendo se dividir em até 4 pra dar conta de tantas atividades. Alguém conhece algum investidor anjo?

Acabei perdendo o workshop de eletrônica básica para músicos, da startup Bertoloni Amplificadores. E a exibição e debate do documentário O Menino da Internet (The Internet’s Own Boy). Se alguém foi, por favor, compartilhe seus comentários.

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A semana seguiu. E o tão esperado final de semana chegou. Três meses planejando um evento de dois dias de duração, para crianças de 11 a 14 anos. O projeto nomeado de Startup Z foi ambicioso desde o início. Nem eu nem a galera da equipe tinha tido experiência com crianças tão jovens e estávamos muito preocupados. Com o apoio de várias instituições, criamos uma metodologia focada em proporcionar a estas crianças uma experiência de transformação de mentalidade através de imersão no mundo do empreendedorismo. Empoderá-las era a nossa missão. Ninguém melhor pra fazer isso do que a galera mais criativa de Santa Rita, com as instituições Sebrae, Inatel e Prefeitura Municipal, além empresas e outros apoiadores.

Unir o Colégio Municipal José Ribeiro de Carvalho com o Colégio particular CP1, com alunos de realidades muito distintas, fazia o projeto ficar ainda mais complexo. Pelo menos na nossa cabeça. No entanto, preocupações e achismos são coisas de adulto. O evento começou e foi suave. E a integração entre os alunos foi acontecendo gradativamente e de forma natural. Crianças super inovadoras com ideias profundas que, ao meu ver, traduziam a própria realidade em que vivem. Por ter trabalhado com inovação aberta e conhecer vários empreendedores, tenho e tive acesso a muitas ideias de alto nível, mas que não se comparam em profundidade com muitas das ideias que escutei por lá. Coisas como um teclado especial para idosos, tapete para limpeza das rodas das cadeiras dos cadeirantes, um selo que indica que uma empresa destina parte do faturamento com o produto para uma outra empresa que converte este pedacinho em doações. No total, foram 11 startups criadas e comandadas pela criançada, que tinha como apoio um time sensacional de mentores especialistas em negócios, design e desenvolvimento de softwares e aplicativos. Mistura super bacana, que deu certo e elevou o poder de execução das boas ideias que eles tiveram.

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No sábado a correria foi geral dentro e fora do campus do Inatel para as equipes conseguirem validar suas ideias. A timidez não teve vez. Perguntas e perguntas infinitas que faziam os mentores até cortar a conversa pra não atrasar. Quem tem criança em casa sabe que criança pensa que você é uma mistura Google Now com Yahoo respostas. Imagina quando incentivamos!?

Após prepararem seus protótipos, chegou a hora de um rodizio de pizzas pra recarregar as energias e também refinar as apresentações para a banca de jurados, formada por caras que entendem muito de negócios. Mas antes dos pitches finais, tivemos a visita de dois caras especiais: João Kepler e Davi Braga, pai e filho empreendedores. Eles vieram lá de Recife para dar duas palestras consecutivas, para inspirar e motivar tanto os pais, alunos e professores a pensarem diferente e agirem para transformar a realidade.

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Comentários a parte, o Davi deu show. E fez as meninas e os pais suspirarem na plateia. Logo após as palestras, entrou a garotada, que mostrou que a Geração Z está chegando com tudo. Muito impressionante a presença de palco e estabilidade que as equipes demonstraram ao falar no enorme teatro cheio de pessoas olhando. Já tive a experiência por algumas vezes e é assustador. Para eles foi muito natural.

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A disputa foi acirrada. Todos deveriam ser declarados vencedores devido a qualidade e a mudança que só eles e nós, que acompanhamos de perto, poderíamos avaliar com profundidade. Uma verdadeira disrupção de mente e de coração – em dois dias! Porém, seguindo a regra, somente três equipes foram contempladas na premiação. Com: um curso no inatel na área de tecnologia para a terceira colocada; e para as duas primeiras, uma super viagem para conhecer a sede do Facebook. O mais engraçado é que os participantes nos perguntavam assim: “Ué, mas o Facebook não é dentro do computador???” hahahah Coisas que cortam o coração de qualquer marmanjo como eu. Só tenho a agradecer pela oportunidade e à equipe sensacional com quem tenho sempre o prazer de trabalhar. O SZ terminou com a equipe toda em estado de êxtase, assim como as crianças. Porém, o sábado e o domingo não pararam, cheios de coisas legais.

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Por conta do SZ, não pude participar do Vale Music, o festival de jazz e Blues de Santa Rita do Sapucaí, já no seu terceiro ano. Segundo os amigos que foram e nos encontraram na choperia da Aninha depois dos eventos, foi sensacional. Foi uma mistura de bandas locais, nacionais, e até mesmo um trio do cara considerado o melhor baterista de Jazz do mundo no ano passado, além de food trucks e outras atrações. Teve também no sábado, o Inspira Marketing, que trouxe caras fantásticos para falar do tema. Depois de tudo ter acabado, o encontro do pessoal dos eventos no bar foi uma troca super bacana e enriquecedora. Um ótimo indicio da transformação profunda pela qual a cidade de Santa Rita está passando.

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E vamos caminhando. Nesta semana que se inicia tem várias coisas legais pra ver (vamos ver quais vou conseguir desta vez). E fiquem atentos à programação.

Para os empreendedores aconselho o Startupinga, meet-up que vai ocorrer na Chopperia Parada Obrigatória na sexta feira, 21/08, com a presença de investidores, empreendedores, mentores e entusiastas. O foco em fortalecer nosso ecossistema empreendedor. Confira mais informações neste link https://www.facebook.com/pages/Startupinga/782080208573040.

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